TRABALHO INFANTIL: SOU CONTRA


As pessoas que, por terem sido pobres na infância, prestaram diversos serviços em auxílio à renda da família tem uma tendência pouco racional em ser favoráveis ao trabalho das crianças.

Veja-se que não estamos falando de prestação de pequenas tarefas domésticas como lavar e secar a louça, varrer a casa ou alcançar um copo d’água para o pai, ir ao mercado, desligar as luzes…

Quando se fala em trabalho infantil está-se referindo a atividades pesadas, em jornadas obrigatórias de dez, doze horas, insalubres, proibitivas de participação em brincadeiras e frequência à escola e estudo para provas, a que são submetidas crianças com cinco, seis ou oito anos.

Eu comecei a trabalhar com onze anos de idade, não tenho vergonha disto e acho que, à época, não havia a consciência do prejuízo. Para mim, em vista de circunstâncias particulares, serviu de lição de  vida, mas esta poderia ter sido mais fácil e minha formação acadêmica mais completa se, ao invés de passar o dia na rua trabalhando, sobrando apenas à noite para estudar, eu tivesse mais horas livres.

Mas eu não posso medir os outros por mim. Não sou melhor que ninguém, sou apenas diferente, como todos são diferentes de mim.

Estas crianças que devemos livrar do trabalho pesado, insalubre, forçado e prejudicial não estão fisicamente preparados para tanto, terão enormes prejuízos emocionais e culturais.

Para o Estatuto da Criança e do Adolescente, criança é aquela de zero a doze anos, mas a Constituição proíbe trabalho (aqui entendido como regular e permanente, não tarefas domésticas leves) antes dos 14 anos, exatamente para permitir que ela estude e brinque.

Aos que, na falta de argumentos racionais alegam que “tu preferes que elas estejam à toa para roubar e fumar crack” eu digo não! Eu prefiro que elas estudem e brinquem, que se instruam e cresçam saudáveis.

Se aos pais é importante e indispensável a colaboração econômica das crianças como forma de manutenção da família, cabe a eles,  ao Estado e à sociedade a tarefa de descobrir formas de melhorar a renda, sem sacrificar o bem estar das crianças.

Aos que dizem “isto é um sonho, uma utopia” eu respondo que talvez sim, mas que a sociedade não cresce aceitando as desgraças alheias como inevitáveis. Temos de acreditar, contra tudo e contra todos.

Desistir é mais fácil, mas como eu sou teimoso, me nego.

Deixe um Comentário

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

     

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>